Depois que tive o Rafael, comecei a perceber com mais clareza a diferença entre os filhos. Filhos amados e desejados, do mesmo pai e da mesma mãe, pertencentes a uma mesma cultura mas com sexos diferentes. É inevitável que cada um tenha uma forma de se comportar, uma maneira de se relacionar, de demostrar afeto, com modos e necessidades diferentes de se expressar.
Mas o mais intrigante nessas relações tão fundamentais e complexas tem sido pensar na carga que cada um dos meus filhos carregam. Alice, a primogênita, veio com uma expectativa enorme. Primeira neta, primeira filha, cobaia do pai e da mãe, amada, muito amada. Vejo nela uma menina forte, que se expressa super bem mas que carrega consigo uma vontade grande de corresponder os nossos (pai e mãe) desejos. Mas o curioso disso tudo é que ao mesmo tempo, ela briga pra ter o seu modo de ser, a forma de falar (alto diga-se de passagem), de pensar, de buscar informações. Ela é a filha mais velha, a que é ambígua e vai de acordo com os que os pais querem, mas busca o seu próprio lugar no mundo. Ela é um misto de doçura e bravura, de determinação e ansiedade, de filha e irmã.
Rafael, o segundo filho, é plácido, calmo, mais relaxado, menos ansioso. Parece que veio somente para somar, sem grandes expectativas e com uma vontade enorme de viver. Ele ao contrário da irmã, não se sente cobrado. Fala pouco, observa muito, dorme com tranquilidade. Não tem peso, não tem pressa de crescer. E isso acaba refletindo na forma como lidamos com ele: sem muitos estímulos direcionados, sem preocupações bobas e inútéis. Ainda não mostrou a que veio, mas com o tempo vai mostrar pra todo mundo.
E é diante desse cenário que eu me sinto muitas vezes perdida. Sem saber muito bem qual é o meu papel. É inevitável não sentir angústia ou medo. É muito ruim olhar para um filho e perceber que ele sofre, que ele carrega expectativas que não são deles. Mas até que ponto os pais podem e conseguem intervir em algo que foge do controle deles?
E o processo de vir a ser, de tornar-se algo, que todos nós passamos? É possível aplacar essas angústias materna e não se sentir responsável pelo que vier no futuro? Mas uma coisa é certa: Alice sempre será a primogênita e Rafael sempre será o caçula, isso é fato.
*PS: já viram a festinha Joaninha no blog da Doceria??? Corre lá!!!